Em Santa Bárbara d'Oeste, até a década de 1990, o Carnaval de rua fervilhava com a energia das escolas de samba, como a Unidos da Zona Leste, Mocidade Independente, Fedato Beija-Flor, entre outras. As ruas centrais da cidade eram um mar de cores, sons e alegria. Os blocos carnavalescos e carros alegóricos desfilavam, e a cidade vibrava com o ritmo contagiante da batucada.
Entre as estrelas do desfile, uma figura se destacava com brilho próprio: a última porta-bandeira da escola Unidos da Zona Leste. Sua dança mágica e elegante encantava a todos, e a cada passo, a bandeira que carregava parecia ganhar vida. No entanto, havia algo enigmático nela. Diziam que, ao final do desfile, ela desapareceu em meio à multidão, chorando pelo que previa ser o seu último desfile com o fim do Carnaval, ficando apenas a bandeira que ostentava com maestria pelas ruas, encostada em uma árvore de forma misteriosa.
O tempo passou, e a tradição com as escolas de samba do Carnaval de rua em Santa Bárbara d'Oeste foi aos poucos se apagando. O som da cuíca, do tamborim e do pandeiro desapareceu, a batida pulsante do surdo se calou, como se uma maldição tivesse se abatido sobre a cidade. A bateria, a comissão de frente, as alas, os carros alegóricos, a porta-bandeira, o mestre-sala, tudo isso se perdeu em nossa cidade, num passado vibrante.
Mas o Carnaval não era apenas um desfile. Durante todo o ano, as escolas de samba promoviam aulas e eventos sociais, fortalecendo laços comunitários e culturais. Os instrumentistas desfrutavam de um efervescente momento cultural, ensaiando, aprendendo e compartilhando a paixão pelo samba.
Nos dias atuais, o incansável trabalho dos blocos carnavalescos mantém viva a chama do Carnaval, mas onde estão nossas majestosas escolas de samba? As ruas ainda clamam pela energia vibrante das escolas que um dia encheram a cidade de orgulho e alegria. Só restam as lembranças do samba-enredo, que transmitia cultura e proporcionava momentos cativantes e mágicos. A grande disputa e a torcida pelo primeiro lugar se perderam no tempo, deixando um vazio na tradição.
Reza a lenda que a última porta-bandeira ainda dança pelas ruas da cidade nas noites de Carnaval. Se você ouvir atentamente, pode captar o som distante dos instrumentos e o lamento suave de uma mulher chorando. Dizem que seu espírito permanece entre o presente e o passado, aguardando o dia em que a tradição será restaurada e o Carnaval voltará a brilhar em Santa Bárbara.
Até hoje, antigos componentes das Escolas de Samba evitam falar sobre o assunto, como se temessem despertar a tristeza adormecida da porta-bandeira. Mas aqueles que ainda têm esperança acreditam que, um dia, o Carnaval renascerá, e a magia das escolas de samba voltará a encantar a cidade, libertando finalmente o espírito da porta-bandeira de seu lamento eterno. Até lá, os blocos carnavalescos continuam sua missão, garantindo que o Carnaval jamais seja esquecido.